Habitar para Revitalizar:
A Importância da Ocupação do Centro Urbano
Ópera Prima - Menção honrosa 2011








A proposta de revitalizar uma área no centro urbano, trazendo para essa região vida através da habitação, na área central de Curitiba surge como resposta ao crescente esvaziamento e degradação, o que se deve em grande parte ao surgimento de novas centralidades. O público a que se destina o projeto é composto por famílias com renda mensal de até 5 salários mínimos, principalmente as que possuem algum membro empregado no comércio da região.
Através da pesquisa bibliográfica e documental são reunidas informações históricas e conceituais sobre habitação, a nível nacional e local, dinâmicas de ocupação dos centros urbanos e métodos e exemplos de revitalização. A análise de projetos internacionais como (SEMAPA - SOCIETE D'ECONOMIE MIXTE D'AMENAGEMENT DE PARIS) e nacional como o (PROJETO HABITAR BELO HORIZONTE: OCUPANDO O CENTRO), somada à interpretação da realidade local estabelece diretrizes a serem seguidas durante a elaboração do projeto arquitetônico.
A proposta de intervenção possui a intenção de não se apresentar somente como simples edifícios habitacionais , mas de criar um elemento articulador que venha revitalizar a região. com isso a proposta é proporcionar ligações entre a ruas, possibilitando novas circulações, abrindo o terreno para a cidade. Esse espaço vem estimular o uso mais intensivo dessa quadra.
O projeto acaba se desenvolvendo naturalmente, onde seus eixos de circulação são as linhas iniciais do projeto, após definir os percursos buscando atender a menor distância foi dividido em dois níveis, onde os blocos habitacionais pares são acessados pelo térreo e os impares pelo primeiro pavimento.
No térreo e no primeiro pavimento desenvolve-se varias atividades como lojas, bistrôs, academia que intensificam o uso desse espaço. No segundo pavimento encontra-se a praça privativa do empreendimento onde foi locado as áreas de lazer. Com isso a proposta visa uma integração dos moradores e o espaço local onde as pessoas caminhando nesse espaço observam a vida na cidade.
Nesse espaço interno foi criado uma praça e os caminhos ao redor possibilitam as pessoas estarem observando o movimento nos vários níveis , criando diferentes percepções do espaço. Além de proporcionar áreas de convívio, contemplação e lazer direcionado não somente aos moradores do local mas à cidade. Os centros urbanos brasileiros concentram a história e a identidade das cidades, mas, desde meados do século XX, muitos enfrentam um processo de esvaziamento populacional. O deslocamento das classes de maior renda para novas centralidades e a predominância de usos comerciais e institucionais fizeram com que essas áreas permanecessem ociosas à noite e nos finais de semana, favorecendo a degradação física, a subutilização de imóveis e a sensação de insegurança. Reverter esse quadro exige reconhecer que um centro só recupera sua vitalidade quando volta a ser habitado.
A habitação é o elemento capaz de devolver movimento contínuo às ruas e romper a monofuncionalidade típica dessas áreas. Assim, trazer moradores de volta ao centro não deve ser visto como apenas mais um uso urbano, mas como a base que sustenta a diversidade de atividades e a dinâmica da vida urbana.
Entretanto, essa ocupação deve contemplar diferentes faixas de renda. Áreas centrais destinadas exclusivamente a empreendimentos de alto padrão ou apenas à habitação de interesse social tendem a reforçar a segregação socioespacial. A diversidade social — inclusive em um mesmo edifício, com unidades de diferentes metragens e valores — fortalece as relações de vizinhança, amplia a demanda para o comércio local e evita que o centro se transforme em um enclave de luxo ou em uma área estigmatizada.
A vitalidade urbana também depende da diversidade de usos. Moradia, comércio, serviços, cultura e lazer devem coexistir em proximidade, garantindo fluxo constante de pessoas ao longo do dia e da semana. Como destaca Jane Jacobs, essa dinâmica é favorecida por quarteirões curtos, edificações de diferentes épocas e custos de ocupação e densidade populacional suficiente para sustentar atividades variadas.
Investir na habitação nos centros urbanos significa aproveitar a infraestrutura já existente, conter o espraiamento da cidade e promover um desenvolvimento mais sustentável. Mais do que recuperar fachadas, revitalizar os centros por meio da habitação diversificada e da combinação de usos é garantir espaços vivos, seguros, inclusivos e capazes de cumprir sua função social como locais de encontro e convivência.
Palavras-chave: Ocupação do Centro Urbano, Diversidade de Usos, Diversidade Social, Revitalização Urbana.
Ano 2010 - Universidade Positivo.










