Projetos Institucionais
Esta seção reúne trabalhos desenvolvidos como arquiteto e urbanista do quadro da UTFPR, onde atuo desde 2012 e, a partir de 2015, como Chefe do Departamento de Projetos Civis, vinculado à Diretoria de Projetos e Obras da Reitoria. Aqui, o projeto deixa de responder a um único cliente e passa a servir a uma comunidade inteira de estudantes, professores e servidores, distribuída em 13 campi pelo interior e pela capital do Paraná.
O trabalho se desenvolve em duas escalas que se complementam. Na escala do campus, os Planos Diretores orientam o crescimento de cada unidade, reunindo o diagnóstico das edificações e da infraestrutura existentes e estabelecendo diretrizes para expansão, uso do solo, circulação, paisagismo, acessibilidade e preservação do patrimônio histórico.
Na escala do edifício, os princípios de sustentabilidade se traduzem em decisões concretas de projeto: implantação e orientação solar adequadas, aproveitamento da iluminação e da ventilação naturais, sombreamento das fachadas, captação e reúso de águas pluviais, uso racional de energia e escolha de materiais duráveis e de fácil manutenção. Somam-se a isso a acessibilidade universal e a requalificação de edificações existentes, que prolonga a vida útil do patrimônio construído e reduz a necessidade de novas obras.
Ao percorrer os projetos, o visitante encontrará implantações, perspectivas, pranchas técnicas e imagens de obras executadas. Mais do que edifícios isolados, o conjunto mostra um modo de pensar a universidade como pedaço de cidade: com espaços de convivência qualificados, acessibilidade universal, uso eficiente dos recursos públicos e atenção à sustentabilidade e à memória de cada lugar. É, de certa forma, o mesmo interesse que já aparecia nos projetos de graduação, agora aplicado em escala real e a serviço do ensino público.
Os projetos aqui apresentados foram desenvolvidos por equipes multidisciplinares, compostas por arquitetos, engenheiros e gestores de infraestrutura universitária.
Na elaboração e coordenação dos Planos Diretores da UTFPR, orienta-se o crescimento e a gestão da infraestrutura física dos 13 câmpus da universidade, somando cerca de 4,5 milhões de m² de terreno e mais de 437 mil m² de área construídos. Cada plano parte de um diagnóstico do câmpus, com edificações existentes, contexto urbano, situação legal e projetos em andamento. A partir dele, definimos diretrizes de uso e ocupação do solo, sistema viário, paisagismo, acessibilidade e expansão. O trabalho busca integrar o câmpus ao planejamento urbano do município e garantir a circulação segura de pedestres, ciclistas e veículos. Também prioriza a sustentabilidade, a preservação das áreas verdes e do patrimônio, a padronização arquitetônica e a valorização dos espaços de convivência. O resultado é um instrumento de gestão que apoia as decisões de investimento da universidade, complementado por documentos técnicos, estudos de acessibilidade e tours virtuais 3D.
















Nos projetos das guaritas dos câmpus Guarapuava, Santa Helena, Dois Vizinhos e Francisco Beltrão, a guarita é tratada como a porta de entrada da universidade, e não apenas como um posto de vigilância. Cada uma se organiza em torno de um gesto marcante, seja um pórtico treliçado, uma cobertura em arco ou uma laje inclinada em balanço, que abriga quem chega e traz a identidade visual da UTFPR. Em todas, os fluxos de veículos e pedestres são separados, a acessibilidade segue a NBR 9050 e os materiais são duráveis e de baixa manutenção, resultando em pequenos marcos de chegada, funcionais e reconhecíveis.
















Os projetos de edifícios educacionais desenvolvidos para diversos câmpus da UTFPR somam mais de 30 mil m² de salas de aula, laboratórios e áreas de apoio. Entre eles estão os blocos de Londrina, Santa Helena e Toledo (Biopark), apresentados aqui. A proposta é oferecer espaços de ensino e pesquisa eficientes, flexíveis e de fácil manutenção. Os blocos têm planta linear, com circulação central, e concentram sanitários, escadas, elevador e shafts em um núcleo de serviços compacto. A estrutura modulada permite reorganizar salas de aula, laboratórios e áreas administrativas à medida que a instituição cresce e se transforma. O conforto ambiental orienta o desenho das fachadas: brises, prateleiras de luz, marquises e fachadas verdes controlam a insolação e favorecem a iluminação natural. Painéis fotovoltaicos e o reaproveitamento das águas pluviais reforçam o compromisso com a sustentabilidade. Todos os projetos seguem a NBR 9050, com rotas acessíveis, rampas, elevadores, piso tátil e sanitários adaptados. O resultado são edifícios que traduzem a identidade da UTFPR e acompanham a evolução das atividades acadêmicas.












Os projetos de restaurantes universitários desenvolvidos para oito câmpus da UTFPR somam mais de 6 mil m², entre edifícios novos (cerca de 2,9 mil m²) e ampliações e reformas executadas em etapas (cerca de 3,3 mil m²). Entre eles estão os restaurantes de Santa Helena, Dois Vizinhos e Curitiba, apresentados aqui. A prioridade é o funcionamento seguro da cozinha, com fluxos de alimentos, louça e resíduos separados para evitar a contaminação cruzada, em conformidade com as normas sanitárias. Os salões são pensados para ser confortáveis e acessíveis, e as soluções construtivas priorizam durabilidade e fácil manutenção, sempre ajustadas às necessidades de cada câmpus. Todos os projetos seguem a NBR 9050, com rotas acessíveis, plataformas elevatórias, piso tátil e sanitários adaptados. O resultado são espaços que cuidam da saúde e do bem-estar de quem trabalha e se alimenta neles todos os dias.




















Os projetos de ambientes de apoio desenvolvidos para a UTFPR são espaços que sustentam a vida universitária para além da sala de aula. Entre eles estão o Bloco Administrativo de Londrina, as Quadras Poliesportivas e a Praça de Convivência coberta de Guarapuava e o Centro de Convivência de Francisco Beltrão, apresentados aqui. A proposta é criar lugares de encontro, trabalho e lazer que fortaleçam o sentimento de pertencimento da comunidade acadêmica. As soluções aproveitam a topografia e a paisagem de cada câmpus e priorizam a flexibilidade de uso: grandes coberturas em estrutura metálica, salões integráveis por paredes móveis, terraços-jardim e decks voltados para áreas verdes. A luz natural, o conforto térmico e materiais duráveis, como cerâmica, pedra, aço corten e brises, garantem desempenho e baixa manutenção, enquanto o uso da cor reforça a identidade da UTFPR. Todos os projetos seguem a NBR 9050, com rotas acessíveis, rampas, plataformas elevatórias e piso tátil. O resultado são espaços que acolhem a convivência e qualificam o dia a dia de estudantes, professores e servidores.








Os projetos de laboratórios especiais desenvolvidos para a UTFPR atendem ambientes em que a arquitetura é parte da segurança da pesquisa, como áreas de nível de biossegurança 2 (NB2), salas limpas e laboratórios de biologia molecular. Entre eles está o Laboratório de Análises Biológicas e Biologia Molecular (BioMol) do Câmpus Dois Vizinhos, projetado em 2020 para o diagnóstico da Covid-19. Foi o primeiro da UTFPR habilitado pelo Lacen para testes de RT-PCR. O complexo foi depois ampliado para receber o Núcleo Multiusuário Avançado para Desenvolvimento de Proteínas Recombinantes (NURECOMB), cujo projeto de salas limpas foi habilitado em chamada pública nacional do MCTI/FINEP. Nesses espaços, cada decisão responde a protocolos técnicos rigorosos. Os fluxos de pessoas, amostras e materiais são controlados, e as superfícies são contínuas, com rodapés curvos e cantos em meia-cana que facilitam a higienização. Esquadrias e mobiliário técnico são projetados sob medida para cada procedimento. O resultado são laboratórios que unem segurança, precisão e funcionalidade, ampliando a capacidade da universidade de fazer pesquisa de ponta e prestar serviços à sociedade.





Reformar é dar uma segunda vida ao que já foi construído. Em vez de demolir ou construir do zero, esses projetos partem do edifício existente e perguntam o que ele ainda pode ser: um galpão que vira centro de inovação, ou um prédio antigo que se torna espaço de convivência e aprendizado. No caso das edificações históricas, o desafio é ainda maior. Preservar esses edifícios é preservar a própria história da instituição, e para isso eles precisam se adaptar a novos usos e se tornar acessíveis a todos, sem perder as marcas do tempo que os tornam únicos. Repensar usos aproveita estruturas, recursos e a memória de cada lugar, e incorpora conforto e sustentabilidade, mantendo os edifícios vivos e alinhados às novas demandas da universidade.



